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23/06/2009

A viagem maldita é nome só de filme??




Seria a viagem perfeita se ela fosse feita por pessoas perfeitas!

Eu ainda era noiva e meus pais eram vivos, o que quer dizer que eu era magra!

Eu não consigo lembrar de detalhes, acho que foi em um feriado prolongado e que eu saí cedo do serviço. Já na saída de BH as pessoas ficavam olhando o carro de modo divertido. Na época o Tião, a gente ainda o chamava de John, o que significa que além de magra eu era bem nova, tinha uma Caravan que eu acho que era azul e que ficou com o bagageiro de teto lotado e com nove pessoas dentro, revezando no porta-matas eu ou Wa e um dos meninos, Ro e Rafa, no banco de trás mamãe, Cinthia e Maia com apenas 3 meses de idade, uma pessoa do revezamento e um dos meninos, Tião ao volante, Guta que na época era ainda meu noivo, que quer dizer que além de nova e magra estávamos no século passado, no banco do carona com os pés no engradado de cerveja. No bagageiro de teto colchão para os 9, roupas de cama para os 9, malas dos 9 e todos os acessórios para o bebê!

Eu lembro que era na praia, casa de um primo, o Estado era o Rio de Janeiro e o mar estava um tanto sujo do que parecia ser pedacinhos de cana de açúcar. A viagem foi atípica, pneus estourados, laranjas no acostamento que encheu de mosquitos, calor infernal, quem ia para o revezamento no porta-malas tinha que tirar a blusa para tentar sobreviver.

Lá pela metade do caminho a Caravan já começou a apresentar os primeiros sintomas, ela balançava sob o eixo, ela fazia um movimento quase sincronizado, mas nada que impedisse 9 mineiros a encontrarem o mar.

Chegamos por volta de meia-noite, acordamos todos da casa, e foi descendo gente da Caravan, o pessoal olhando incrédulo. Tira malas, colchões, roupas de cama, e Ogra grita:

-Tira o Moisés.

Um dos sobrinhos do meu primo, olhava curiosamente e seu olhar passou de abismado para completamente perplexo, quase em choque e ele disse:

- Eu não acredito que tem mais uma pessoa dentro deste carro, é impossível! Ainda tem o moisés?

Apesar das gargalhadas ele ficou aliviado ao saber que moisés era só o cesto para o bebê dormir.

Foi tudo muito bom, tudo muito bem.

Lembro-me de fritar 10 kilos de batata em uma só noite e da filha da minha prima que queria ir à praia, mas se recusava a pisar na areia. Ganhei o apelido de Tia caquinho pelo conjunto da obra, óculos e cobertor para enfrentar o frio que fazia à noite durante os papos na varanda.

Hora de voltar pra BH, aproveitamos que o papai foi nos encontrar, colocamos todas as malas na carroceria da caminhonete, mas a Caravan, apesar de estar muito mais leve não deixou de fazer o movimento sincronizado e até o dia em que foi vendida ela ainda dançava e se ainda é viva deve estar dançando por ai.

Hora marcada para sairmos, o primo que tem um problema sério com não ser pontual em hipótese alguma, resolve comprar um carro e só conseguimos pegar a estrada quase na hora do almoço. Fila indiana, várias pessoas divididas em 4 carros, piriri-gangorra! Viemos parando o caminho todo, cada hora era um que “precisava” de ir ao banheiro. E para e desce e corre para o banheiro e conversa e ri, e entra dentro do carro e vamos que vamos!

Já noite e ainda estávamos longe de BH quando papai resolve parar em um posto e fica paralisado no meio da pista, errou a entrada, teve um trem, bloqueou geral, mas ficou lá, paradinho no meio da pista e carro vindo e freiando e tentando desviar da caminhonete virada bem no meio da pista. E vem um ônibus, daqueles “enormes de grande” e ao tentar desviar vem logo pra cima de quem? De mim e do Guta que estava dirigindo o carro do meu primo, já que ele tinha comprado um outro e por mais que eu tente, não consigo lembrar que carro era, mas era vermelho, acho. O Guta então puxa o carro mais para dentro do acostamento, só que estava tão escuro que não sabíamos se era terra ou abismo. Mas deu tudo certo, deu pra ver o rosto do motorista do ônibus, chocado, passando rente ao nosso carro. Todos no posto, todos tensos, assustados, tentado recuperar o equilíbrio quando o Tião reclama que a Caravan está dançando e papai resolve fazer um teste com ela. Entra dentro do carro, liga, corre, freia, corre, freia, e atrás dele, correndo também, a turma toda, gritando:

Para, para, para a Mariana está no banco de trás!

Ainda bem que ele ouviu, parou, e nós corremos para o carro, mas a Maiá estava lá, deitada dormindo perfeitamente bem!

Passei o resto da viagem com piriri de xixi. Sabe como é? Toda hora tinha que parar o carro para eu fazer xixi, eu acho que perdi toda a água do organismo nas duas horas seguintes.

Eu fiquei emocionada e quase chorei quando depois de meia-noite vimos a placa:

Bem vindo a Belo Horizonte. Nunca um belo horizonte foi tão belo.

Wá, isso foi tudo que consegui lembrar, sei que você lembra dos detalhes mais sórdidos!

 

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