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27/04/2010

Tereza Não Tão Santa!




Por se tratar de uma história real, as pessoas envolvidas serão citadas por Nick para não serem identificadas.

Quem conhece a história de Belo Horizonte e do tradicional bairro Santa Tereza, sabe da importância do Clube da Esquina para a música mineira. O Clube nada mais é do que uma esquina onde grandes nomes da música mineira como Beto Guedes, os Borges, Milton Nascimento, Toninho Horta, Fernando Brant, e outros se reuniam para tomar sol sem camisa e fazer qualquer coisa, dizem que faziam música e não podemos duvidar. É aqui que entra o nosso primeiro personagem que vamos nomear Tião. Tião quando “bem” mais jovem conheceu esta turma da esquina porque morava em frente onde hoje ainda mora o também conhecido da turma, o Turco. Mas não vamos falar do Turco, nem do Tião. A história começa quando a cunhada do Tião, que vamos chamar de Ogra, muito embora ela se ache loira, alta e magra, foi morar em Santa Tereza bem em frente ao Clube da Esquina que hoje apresenta na parede uma placa como marco e homenagem à importância cultural do clube.

Em Santa Tereza, um bairro antigo, os famosos ainda são figurinhas fáceis, mas nem sempre gostam de completar álbum. Povoado de bares, restaurantes, comércio variado, com uma agitada vida diurna e noturna, o bairro é famoso também pela quantidade de pessoas que fazem hora extra não remunerada. Ilustres moradores que não mais precisam trabalhar, acordar cedo, cuidar dos filhos, já que estes já há muito foram cuidar de suas famílias em consequência natural do passar dos anos, ou seja, Santa Tereza tem muitos idosos! Longe de mim desrespeitá-los já que estou caminhando, ainda que lentamente para lá, a minha intenção é, para explicar melhor os fatos ocorridos, ressaltar os motivos pelos quais muitos dos moradores do famoso bairro ignoram algumas atitudes dos vizinhos já que estas não lhes afetam mais.

Como eu dizia, Tião tem a cunhada Ogra que é casada com o que vamos gentilmente nomear de Pudim para não ser identificado. Pudim é um típico mineiro trabalhador, responsável e pagador de impostos que luta pelos seus direitos, assim como o seu cunhado Tião, só que Pudim, ignoram-se os motivos, casou-se com a Ogra, teve três filhos com ela, apesar de ninguém ainda ter falado em DNA e acham Santa Tereza um bom bairro para se morar, principalmente porque apesar de sua casa ficar em frente ao Clube da Esquina, ainda assim, sempre foi um lugar tranquilo até que no quarteirão acima foi aberto um bar/restaurante/filial do clube da esquina, de propriedade do filho de um dos famosos membros do clube, que toca música alta em plena quarta-feira até as três horas da madrugada.

Música boa, de primeira, mas quem quer ficar acordado a noite toda ouvindo música, para acordar cedo e ir trabalhar? E quem não se importa com isso porque não acorda cedo e não precisa mais trabalhar porque tem o cheque garantido pelo INSS no final do mês? Pudim e os gentis e encantadores aposentados de Santa Tereza, nesta ordem.

De posse de uma arma, a única disponível no momento, o telefone, Pudim disca os números que vão salvar a sua noite: 911! Quando lembra que não mora mais em N.Y e liga para a polícia mesmo. Os homens chegam, os homens vão embora e o problema persiste. Pudim então liga para a delegacia de meio ambiente para reclamar no barulho excessivo. E por causa deste ato de coragem e bravura ele é procurado pela sócia-proprietária do estabelecimento couver do Clube da Esquina que assim se justifica:

- “É que o filho do Almir Satler estava tocando ontem!”

E o Pudim prontamente responde:

- “É mesmo? O Almir vai morar no pantanal porque não suporta barulho e o filho dele vem fazer barulho na minha madrugada?

Depois de muita conversa para boi não dormir a sócia-proprietária promete providências para diminuir o barulho e oferece um chopp grátis para Pudim e sua família. Ela devia ter prometido segurança pessoal, porque Pudim estava a nível de enfrentar cheirador de cola na rua, mandando-o sair de perto dele rápido, apenas de posse da sua arma telefônica, enquanto era observado pela Ogra na janela. Ogra esta que já tinha dito para a sócia-proprietária que mesmo que Milton Nascimento aparecesse, ela queria era dormir.

Quando eu soube desta história de telefonemas no meio da madrugada e de acordos selados durante o dia, eufórica, eu pedi para me avisarem quando Milton Nascimento fosse cantar no quarto da Ogra, mas ela me tirou a alegria quando disse que ia mandar nós dois calarmos a boca!

A história é mais ou menos assim, com a tal margem de 2% para mais ou para menos, porque é como todo mundo sabe, quem conta um conto, aumenta um ponto.


 

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